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| Foto: Arquivo pessoal |
De São Paulo-SP
Trifon Marinov Ivanov é um nome tão marcante quanto os chamativos e longos mullets que o zagueirão búlgaro ostentou na década de 1990. Lembrado como brucutu dos campos e como aquela figurinha do álbum da Copa que você precisava ter de qualquer forma, Trifon é cultuado pelos mais diferentes cantos deste universo.
Truculento e pouco ágil na cobertura, o Lobo Búlgaro comandou a defesa de sua seleção por dez anos, de 1988 ao Mundial de 98 na França, na fraca campanha num grupo com Espanha, Paraguai e Nigéria. Seus carrinhos e porretadas castigaram os adversários em gramados austríacos, suíços e espanhóis, além dos iniciais relvados da terra de Dilmão coisa linda de mulher Rousseff.
Deu seus primeiros pontapés (entenda como quiser) pelo Etar Tarnovo, de sua terra natal. Por lá ficou até 1988, quando encantou os dirigentes do CSKA Sofia. Demonstrando boa capacidade para chutes de longa distância, vez ou outra surpreendia os pobres goleiros com patadas do meio da rua. Foram oito gols em dois anos pela equipe da capital búlgara, até que os inocentes andaluzes do Bétis resolveram investir seus tostões na contratação do beque.
Sem se adaptar como gostaria, Trifon fez 20 partidas antes de voltar às suas origens, distrubuir catiripapos no Etar Tarnovo, entrando em campo em 12 oportunidades antes de OUTRA VEZ (pô, cara, se decide) vestir a camisa do CSKA. Como num déja-vù, o Lobo Búlgaro fazia suas malas mais uma vez rumo ao exterior. Mais uma passagem pelo Bétis. Quer dizer...
Um ano de Espanha e viria a Copa de 1994, nos Unaited Stêits ofa Mérica. Ao embalo do forte sol norte-americano e as músicas de Jon Secada, a seleção alviverde fez excelente papel e tirou México e Alemanha nas fases do mata mata antes de cair perante a Itália na semifinal. Em uma competição onde tivemos uma trave derrubada por Bernal, um gol contra que custou a vida de Escobar, a suspensão de Maradona com a bola rolando, a façanha dos balcânicos marcou época nos autos futebolísticos. Ivanov levou incríveis três cartões amarelos no decorrer do certame. Fascinante.
Após chocar o mundo com seu visual de lobisomem embriagado, Trifon assinou com o Neuchâteu Xamax da Suíça (helvéticos derrotaram a Bulguéria na fase de grupos em 1994), onde não ficaria por muito tempo. Míseras 25 partidas para não deixar saudade pelos lados de lá. Voltou ao seu namorico juvenil, o CSKA Sofia, como uma ex-namorada que sempre troca de caso mas acaba voltando para os braços do mesmo cara.
Em 1995 mudou de ares e foi tentar a sorte no Rapid Viena, que estava à sua espera (valeu, Billy Joel). Duas temporadas no alviverde vienense foram talvez o maior momento de Trifon em clubes, já que ele conquistou a Copa da Áustria no mesmo ano, e a Bundesliga em 1996. Seu momento particular mais glorioso foi nas Eliminatórias para o Mundial na França, em 1997, contra a Rússia. O seu gol de cabeça valeu a vaga para a competição da FIFA, embora a atuação búlgara neste evento tenha sido um tanto quanto desastrosa. Que dirá os 6-1 levados contra a Espanha.
Encerrou sua carreira com uma heresia, ao trocar o Rapid pelo Austria Viena, mesmo que por um semestre. Incapaz de deixar A marca do ogro nos violetas vienenses, deixou o pavilhão austríaco para voltar ao amor da sua vida, o cafajeste, o Ricardão CSKA Sofia e por lá pendurou suas chuteiras e motosserra.
Com 47 gols (seis pela seleção nacional da Bulgária) e incontáveis lesões infligidas em oponentes, Trifon Ivanov foi uma lenda, ditando tendências defensivas (abaixo do pescoço é canela, porrada neles, vou entrar de sola e não tô nem aí) e sobretudo de aparência. Os fãs de futebol sempre se recordarão com apreço daquele camisa 3 que não dormia em serviço.


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